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A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão técnico ligado ao Senado Federal, jogou um balde de água fria nas projeções do Palácio do Planalto ao estimar um déficit primário de R$ 86,1 bilhões para 2027. O número colide frontalmente com a proposta enviada pela equipe econômica ao Congresso Nacional, que aposta em um superávit de R$ 18,6 bilhões para o mesmo período.
A discrepância monumental de mais de R$ 104 bilhões entre os cálculos nasce de premissas macroeconômicas divergentes. Enquanto o governo ancora suas expectativas em um crescimento de 2,5% para o Produto Interno Bruto (PIB) e em receitas condicionadas que somam R$ 42 bilhões — de um imposto ainda nem criado —, a IFI enxerga uma expansão econômica mais modesta, de 1,8%, e classifica os números oficiais como excessivamente otimistas.
Pelas contas do órgão legislativo, caso o Planalto queira evitar o descumprimento formal da meta fiscal, será inevitável tesourar os gastos públicos. A IFI aponta a necessidade urgente de um contingenciamento de R$ 35,7 bilhões logo no início do período, alerta que coloca em xeque a estratégia oficial baseada apenas em revisões brandas de despesas.
Além do rombo iminente, o relatório joga luz sobre o círculo vicioso que paralisa a economia nacional: a persistência de juros altos retroalimentada pelo desequilíbrio fiscal. Para os técnicos do Senado, enquanto o país insistir em contas no vermelho e prêmios de risco elevados, a relação entre dívida pública e PIB continuará pressionada, refém da falta de um ajuste estrutural mais rigoroso.
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