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O candidato ao governo estadual Fernando Haddad (PT) afirmou nesta quinta-feira (17) que a capital paulista viveu uma “guerra absurda” em torno dos contratos do transporte público e classificou o setor como um “vespeiro”. A declaração ocorre em meio às investigações da operação que apura a suposta ligação de empresas de ônibus com o PCC e que resultou no pedido de prisão do ex-presidente da Câmara Municipal, Milton Leite (União Brasil).
Segundo Haddad, que administrou a cidade entre 2013 e 2016, os contratos sob suspeita foram firmados após a sua gestão. O petista relatou que a licitação foi preparada quando o então secretário de Transportes, Jilmar Tatto, determinou que as antigas cooperativas de vans precisavam virar empresas para disputar as linhas. De acordo com o Ministério Público, 12 das 22 empresas do sistema têm algum tipo de relação com o crime organizado.
“Estava uma guerra absurda na cidade em torno desses contratos. Eu falei: ‘Eu não quero o meu nome em contrato que eu não possa garantir lisura’”, declarou o candidato. O petista apontou ainda que a concorrência foi finalizada por gestões posteriores com propostas únicas por lote, o que, na avaliação dele, indica um possível conluio para o rateio dos contratos da prefeitura.
Durante a agenda de campanha, Haddad também relembrou episódios de sua gestão na prefeitura e afirmou ter pedido para Milton Leite tirar férias quando o então vereador manifestava o desejo de presidir a Câmara Municipal. “Falei para ele: ‘Milton, deixa o governo sossegado. Cada um no seu quadrado, deixa o governo tranquilo. Você me conhece, sabe que eu não gosto de confusão’”, contou.
O candidato enfatizou que confia nas investigações e que os alvos da operação terão amplo direito de defesa. “Esse tema é um vespeiro há muito tempo. Rumor é uma coisa, evidência é outra, prova é outra. Diante das provas, nós temos que buscar a verdade do que de fato aconteceu no processo licitatório. Os envolvidos vão ter condição de se explicar”, concluiu.
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