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As buscas no Google pela pergunta “é de direita ou esquerda?” associada a nomes de candidatos quase triplicaram no Brasil desde o início oficial da campanha eleitoral, em 16 de agosto. Faltando três semanas para o primeiro turno das Eleições 2026, marcado para 4 de outubro, a dúvida sobre o alinhamento ideológico virou o principal atalho do eleitorado para decidir em quem votar.
O interesse explícito pela definição de lado explodiu também para os cargos proporcionais. Dados consolidados do buscador mostram que as pesquisas pelos termos “deputado esquerda” e “deputado direita” saltaram 600% e 1.200%, respectivamente, nos últimos 30 dias. Embora a corrida pela Presidência da República continue centralizando quatro em cada dez buscas gerais sobre candidatos — com quatro vezes mais volume que as pesquisas para o Senado —, a cobrança por rótulos atingiu em cheio as disputas para o Congresso e governos estaduais.
Para o cientista político Elias Tavares, o fenômeno expõe uma busca por identidade em que o rótulo antecede a proposta. “O eleitor tenta descobrir se existe um ‘match’ entre aquele candidato e aquilo em que ele mesmo acredita. Em muitos casos, a primeira pergunta já não é necessariamente ‘o que esse candidato propõe?’, mas, sim, ‘ele está de qual lado?’. Direita e esquerda ajudam o eleitor a antecipar posições, alianças e valores”, afirma o especialista.
Essa necessidade urgente de enquadrar políticos em gavetas ideológicas também sinaliza uma postura defensiva de quem vai às urnas. Segundo o cientista político Samuel Oliveira, o disparo nos motores de busca revela um eleitor mais desconfiado. “Ele quer saber primeiro de que lado o candidato está, para depois decidir se vale a pena ouvi-lo. A polarização, então, deixa de ser apenas uma preferência e passa a funcionar como filtro”, explica.
Entre os nomes que mais provocaram dúvidas dos internautas nos últimos sete dias estão políticos veteranos e figuras de diferentes espectros, como Luiz Inácio Lula da Silva, Ronaldo Caiado, Eduardo Paes, Raquel Lyra, Flávio Bolsonaro, Ciro Gomes e ACM Neto. O questionamento estendeu-se até a partidos políticos sem posição óbvia para o grande público, como PSD, Avante, Podemos e União Brasil, e resgatou até personagens históricos da política nacional, a exemplo de Getúlio Vargas, João Goulart, Carlos Lacerda e Fernando Henrique Cardoso.
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